Fosfoetanolamina: Conheça a polêmica que envolve a “pílula do câncer”

Na semana passada, a fosfoetanolamina, conhecida como a “pílula do câncer”, voltou a ser motivo de polêmica aqui no Brasil. 

Isso porque a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pretende permitir que o medicamento seja liberado para uso, antes mesmo que as pesquisas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sejam concluídas.

O texto foi assinado por 26 parlamentares de vários partidos e seguiu o Senado Federal. Se aprovado novamente, passará pelo crivo final da Presidência da República.

O projeto diz que pacientes poderão fazer uso da substância por livre escolha se forem diagnosticados com câncer e se assinarem termo de consentimento e responsabilidade.

Vale ressaltar que a opção pelo uso voluntário da fosfoetanolamina sintética não exclui o direito do paciente de ter acesso a outras modalidades de tratamento.


A polêmica


A ala médica que se posiciona contra o uso da pílula diz que a droga não passou pelos testes necessários. “Não sabemos se funciona, se é tóxico, se interfere no tratamento convencional. Não sabemos nada a respeito da pílula. Estamos no escuro. Não podemos dizer que não funciona, mas também não podemos dizer que funciona”, disse Auro Del Giglio, Chefe da Oncologia Clínica do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC).

De acordo com o médico, seriam necessários ao menos quatro anos de pesquisas para se ter ideia dos efeitos que ela causa no organismo do ser humano.

Além disso, diversos pacientes que recorrem à fosfoetanolamina acabam abandonando o tratamento já iniciado, atitude que também é motivo de preocupação para os médicos.


A origem da pílula


A fosfoetanolamina é objeto de estudo do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP). Já são 20 anos de pesquisas lideradas pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice.

A substância imita um composto que existe no organismo, o qual sinaliza as células cancerosas para que o sistema imunológico as reconheça e as remova. A reação e os resultados podem variar de acordo com o sistema imunológico de cada pessoa.

A fosfoetanolamina já foi distribuída de forma gratuita na universidade, mas parou de ser entregue por conta de uma portaria, determinando que substâncias experimentais tivessem todos os registros antes de serem disponibilizadas à população.

Sem a licença da Anvisa, essas substâncias – especialmente a “pílula do câncer” –  passaram a ser entregues somente por determinação da Justiça.

, Montes Claros
  • Lançamento: 2016-03-16 08:14:26
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